Atenção: abaixo você lerá uma tradução livre do texto From Seinfeld to Snapchat do autor Justin Cox. Clique aqui para ler o texto original.

Obs.: A expressão em inglês pop-in, não foi traduzida no texto. Entenda a expressão como o fato dos personagens simplesmente ‘aparecerem’ na casa um dos outros sem aviso prévio.


Durante os anos 90, pessoas do mundo todo paravam seja lá o que estavam fazendo nas noites de quinta-feira para conferir as proezas de quatro nova iorquinos. As vidas de Jerry, George, Elaine e Kramer foram exibidas em frente a nossos olhos e criaram diversas referências na cultura pop assim como nos fizeram rir. Apelidado de “A série sobre o nada” Jerry e sua turma gastaram todos os episódios Seinfelddoing, ou seja, nada. Eles conversavam, comiam, tiravam sarro das pessoas – eles viviam suas vidas do mesmo jeito que muitos Americanos. No mínimo, iguais aos Americanos vivendo no Upper West Side de Nova York.

Eu passei minha universidade e o começo da minha vida adulta assistindo Seinfeld e as suas reprises. Eu provavelmente devo ter assistido todos os episódios ao menos uma vez. A maioria deles eu assisti tantas vezes que sou capaz de saber o que cada personagem irá dizer. Especialmente quando uma fala é imortalizada – como ‘yada, yada, yada’. É um marco na cultura pop.

A piada deste episódio clássico no qual George está namorada uma mulher que usa a expressão ‘yada, yada, yada’ para representar elipses em uma conversa.

“Então, estava eu na Terceira Avenida cuidando da minha vida”, ela explica, “e yada, yada, yada, eu recebi uma massagem e um tratamento facial”

George se diverte com a conversa abreviada até que ela diz: “meu namorado chegou tarde ontem a noite e yada yada yada eu estou muito cansada hoje.’ Tentando entender o que está acontecendo, George faz o que ele geralmente faz e vai até o apartamento do Jerry para um pop-in.

Eu estava assistindo a esse episódio na TBS uns anos atrás e como muitas pessoas atualmente, dividia minha atenção entre a televisão e o Twitter. Durante o episódio eu notei que Cameron Strange, fundador da Relevant Magazine, tuitou o seguinte:

 @CameronStrang: A mágica do Seinfeld nunca mais vai acontecer por uma razão: celulares. O show é inteiramente construído no pop-in.

Como Cameron explicou, o programa é construído no ‘pop-in’. A turma toda aparece um na casa do outro, para compartilhar o que está acontecendo com suas vidas naquele momento.

Eles se encontram na rua, no café, e eles constantemente conversam, bem, sobre o yada, yada, yada da vida. Cameron estava certo, o programa não existiria hoje, porque ao invés de um ir ao encontro do outro ou parar na casa de um deles para compartilhar sua vida, nós usamos hoje nossos telefones e as redes sociais.

Na época do Seinfled, o que na verdade não faz tanto tempo assim, telefones eram restritos a locais fixos e quando ligávamos nós torcíamos para ter alguém do outro lado para atender a ligação. Hoje, nós ligamos para as pessoas diretamente e sabemos se eles estão do outro lado para attender a ligação – se eles vão ou não atender já é outra história. Mas na verdade, nós nem fazemos mais ligações telefônicas. Nós mandamamos uma mensagem. Um tweet. Um Email. Um Snap. O pop-in agora é digital. Então, o que acontece com o yada, yada, yada?

YADA YADA YADA, EM UM MUNDO PÓS-SEINFELD

Redes sociais tendem a conseguir uma má reputação. Nós constantemente ouvimos como cada Snap ou mensagem de texto deteriora nossa habilidade de ter uma real e significativa conversa. Mas a verdade é que eles apenas são o novo meio que usamos para sermos sociais

Redes sociais não são tecnologia, são apenas os meios pelos quais somos sociais.

Nossa conta no Facebook, nosso feed do Twitter ou até mesmo nossas mensagens de texto são todos meios que usamos para nos conectarmos socialmente.
Nossa lista de contatos no telefone está no mesmo patamar da nossa lista de amigos e seguidores. Eles são todos ferramentas que usamos para comunicar o yada, yada, yada de nossas vidas.

Humanos estão intrinsicamente conectados com o fato de sermos sociais. Nós estamos constantemente procurando a mais nova forma de conectarmos com nossos amigos e família. Atualmente essa conexão vem em forma de tweets e mensagens de texto.

Durante a época do Seinfeld a conexão social era feita cara-a-cara e o pop-in. Nos anos 50 era pelo telefone. Cada geração cria uma nova forma de comunicar com os outros e ao mesmo tempo pessoas das outras gerações decidem que a nova forma arruinará a habilidade humana de se comunicar.

A revista Time, publicou um artigo em 1959 chamado “Vozes pela linha” que explicava os últimos usos para o mais novo popular telefone de casa:

Milhões de Americanos pegam os seus telefones para se informar sobre o clima ou saber a hora certa, noticias do mercado, cotações do mercado de ações, orações gravadas, boletim de observadores de pássaros e até mesmo (em Boston) conselhos para aqueles que querem se suicidar. Adolescentes mal podem viver sem o telefone – e muito pais mal podem viver com ele. Revirados e todas as posições – desde que esteja desconfortável – adolescentes mantém as linhas ocupadas com conversas intermináveis: “O que você tá fazendo? Sim. Eu vi ele hoje. Sim. Eu acho que ele gosta de mim. Espera que vou trocar de ouvido. O quê??? Espera ai enquanto eu pego um copo de leite.

Soa familiar? Troque a palavra “telefone”no artigo acima por Snapchat ou Twitter ou por qualquer uma da redes sociais atuais e você lerá exatamente como é hoje. A geração anterior estava clamando pelo fim das relações, assim como Cameron Strand agora clama o fim do pop-in.

Todos eles perderam o ponto. O telefone, pop-in e as redes sociais são todos ferramentas para compartilhar a mais simples e básica comunicação uns com os outros – para compartilhar o yada yada yada que nos aparece todo dia.

Note que o que está sendo comunicado no artigo da Time é a mesmo coisa que enviamos mensagem de texto e Snap hoje. De fato, não é tão diferente do que Jerry & cia se comunicavam aparecendo na casa um dos outros. Observe o que acontece quando eu mudo o video do episódio “The Yada Yada” em um grupo de mensagem de texto com o Jerry:

Nós todos temos a necessidade básica de estarmos conectados com outras pessoas. Ás vezes, a necessidade de comunicar é expressada de forma profunda, uma conversa inspiradora, mas na maioria das vezes nossas conversas são feitas de yada, yada, yada. Não há nada significativo sobre chamar alguém de anti-dentista (quem de verdade gosta de ir ao dentista?) mas o que é significativo é o simples ato de compartilhar nossas vidas com nossos amigos mais próximos.

@CameronStrang: @justincox Eu estou literalmente assistindo o episódio yada, yada, yada/ anti-dentista, agora mesmo.

Snapchat e outros serviços de mensagens estão insanamente populares não devido a aprece anonimosidade que eles fornecem, mas porque eles oferecem um novo meio de compartilhar nossas vidas com as pessoas. Enquanto assistia Seinfeld e rolava pelo Twitter, eu descobri outra pessoa experimentando o mesmo momento que eu, e nós compartilhamos o yada yada yada daquela experiência. Através do atual meio social do Twitter, nós conversamos sobre o episódio e brevemente compartilhamos aquele momento juntos.

O FUTURO DO YADA YADA YADA

Cameron Strang estava certo, a mágica de Seinfeld não funcionaria hoje. O programa sobre o nada era especial porque capturava a cultura da época. Hoje o programa se sentiria estrangeiro por causa dos meios atuais que usamos para compartilhar o yada yada yada. A série Selfie tentou descrever nossa comunicação atual melhor que qualquer uma em um bom tempo, mas foi cancelada antes mesmo de conseguir ganhar algum impulso.

Nós não precisamos de uma série de TV para nos mostrar como compartilhar o yada yada yada; nós já sabemos como comunicar uns com os outros. Quando uma nova ferramente social surge nós tendemos a descobrir como usá-lo muito rapidamente, para grande desgosto da geração anterior. Nossa necessidade de compartilhar a vida com outras pessoas não se alterou na era digital. Ela não desapareceu com a invenção do celular assim como não desapareceu quando o telefone fixo foi inventado. A tecnologia muda, mas a comunicação permanece a mesma.

Eu não sei qual será a grande nova tendência social assim como não sei como o próximo Seinfled será. Embora, não acredito que isso realmente importa. O que realmente importa é que continuamos a compartilhar o yada yada yada de todo dia com aqueles com os quais nos importamos.Eu não prevejo nenhuma mudança nesse cenário próxima.